O legado de Donald Meltzer
Ana Laura S. Xavier
Bibliotecária na Biblioteca “Alfredo Menotti
Colucci”, do GEP Marília e Região
No mês de agosto, é celebrado o aniversário de nascimento e morte do psicanalista kleiniano Donald Meltzer. Seu legado é amplamente reconhecido por seu profícuo trabalho na disseminação da Psicanálise. Clinicou com adultos e crianças em Londres e Oxford, sendo nome renomado da Clínica Tavistock. Proferiu conferências pela Europa e América do Sul e ofertou cursos regulares em países como Itália, França e Argentina.
Formado em Medicina em Yale, Meltzer se especializou em Psiquiatria, mais especificamente em Psiquiatria Infantil, o que impactou diretamente em sua vida pessoal e profissional. Ao entrar em contato com as obras de Melanie Klein, amplamente difundida nos EUA na clínica com crianças, Meltzer decidiu por se mudar para a Inglaterra em 1954 e assim, iniciar seu processo de análise com a psicanalista austríaca. Neste momento, filia-se à Sociedade Britânica de Psicanálise.
É interessante observar que sua análise com Klein só foi interrompida em 1960, ano em que a psicanalista faleceu. Meltzer passou então a se analisar com Wilfred Bion, seu contemporâneo, com quem nutriu não somente a relação analista-paciente, mas também uma nova visão para a área da Psicanálise.
Seu legado é composto por livros, artigos, cursos e supervisões que ampliam distintos assuntos e conceitos no âmbito da Psicanálise, mas pode-se destacar principalmente seu trabalho em relação ao método psicanalítico no contexto da clínica. Melanie Klein, Esther Bick, Martha Harris e Wilfred Bion foram os principais nomes a influenciar o seu trabalho.
Pandolfo (2024, p. 285) destaca que Meltzer impactou e influenciou de forma inquestionável a Psicanálise contemporânea, pois o psicanalista.
[…] evidencia a importância e a capacidade de contato com o mundo interno, com o inconsciente, salientando tanto a beleza do interior do objeto como seu horror. Seu legado amplia e enriquece a psicanálise, revelando-nos como o olhar para contextos primitivos permite que consideremos as dimensões mais profundas da mente.

Em 1971, apresentou o artigo Towards an atelier system, (“Rumo à um sistema de ateliê”, em tradução livre) à Sociedade Britânica. Considerado subversivo por tecer críticas as instituições psicanalíticas, modelo principal de difusão da Psicanálise na época, Meltzer defende neste trabalho que a verdadeira formação ocorreria entre os indivíduos por meios dos grupos de trabalho, prática esta que desempenhou frequentemente em suas viagens pela Europa e América Latina.
Meltzer nasceu em 14 de agosto de 1922, nos Estados Unidos, e faleceu aos 89 anos em 13 de agosto de 2004, no Reino Unido. Era o terceiro filho de uma família de judeus. Casou-se três vezes, teve três filhos e três enteados. Atuou principalmente na Europa e América do Sul, ao lado de sua terceira esposa e também psicanalista, Martha Harris (1919-1986).
A Biblioteca “Alfredo Menotti Colucci”, do GEP Marília e Região traz uma seleção de obras relacionadas à Donald Meltzer disponíveis em seu acervo para consulta e empréstimo:
Em “Estados sexuais da mente”, Donald Meltzer defende que “[…] a fantasia-chave de qualquer estado da mente é a cena primária. A natureza da fantasia da cena primária é a que governa a fantasia toda. Então, o objeto combinado é o cerne do significado da experiência” (Mélega, 2024, p. 152).
Já em “Meltzer em São Paulo: seminários clínicos”, organizado por Maria Olympia de A. F. França e Evelise de Souza Marra, temos os seminários clínicos da última vez que o psicanalista esteve em São Paulo.
Por fim, “O desenvolvimento estético: o espírito poético da psicanálise: ensaios sobre Bion, Meltzer e Keats”, de Meg Harris Williams, obra da filha de Martha Harris e enteada de Meltzer.
REFERÊNCIAS
JABUR, Pedro de Andrade Calil. Donald Meltzer: (1922-2004). Disponível em: https://febrapsi.org/publicacoes/biografias/donald-meltzer/. Acesso em: 31 jul. 2025.
MELEGA, Marisa Pelella. Meltzer e a mente inicial. Ide, São Paulo, v. 46, n. 78, p. 149-154, 2024. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31062024000200149&lng=pt&nrm=iso Acesso em 31 jul. 2025

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